A marola que vai virar tsunami

Neste final de semana, a população da Espanha e da França saíram às ruas com panelas e batuques para protestar e fazer muito barulho contra as medidas de austeridade de seus respectivos governos. Vemos recorrentes protestos na Grécia, na Irlanda e em Portugal. O bloco Europeu está ruindo e os motivos ainda são obscuros para a maior parte da população. Mas o verdadeiro motivo desta derrocada política e monetária dos países deste bloco que era considerado exemplo de gestão é  justamente a falta de coerência entre seus membros quanto a controles fiscais. A Grécia não é vítima, muito menos Espanha, França ou Itália. Foram reféns de governantes presunçosos.

A Grécia vendeu lagos para monges,concedeu milhares de benefícios sem nenhum critério, como por exemplo, aposentadoria aos 40 anos para manicures.

No Monte Athos, situado numa península no norte da Grécia, existe uma espécie de Vaticano ortodoxo. Possui 22 mosteiros, onde vivem milhares de monges e que mulheres são proibidas de entrar. Os visitantes – em sua maioria fiéis – necessitam de um visto especial – as listas de espera  podem durar meses. Mais difícil do que entrar nos Estados Unidos. É também o único local em toda a face da terra no qual é usado o horário bizantino, onde o dia começa ao pôr-do-sol.

Porém, este lugar de tempo peculiar e diversos protocolos utilizou de sua reputação religiosa para angariar fundos e doações para melhoria de suas instalações. Países Europeus e fundos comunitários fizeram suas ofertas e tornaram Vatopedi em um fundo de investimento com cifras na casa dos milhões de Euros.

Um dos negócios (ou escândalos, como preferirem) propostos em 2008 pelos monges investidores de Vatopedi foi a troca de um lago em Athos – avaliado em mais 50 milhões de euros – por 70 valiosos terrenos espalhados pelo país pertencentes ao Ministério da Agricultura. A operação era lesiva ao Estado – as perdas foram estimadas em 150 milhões de euros – e acabou aprovada após ministros receberem ‘luvas’, que em outras palavras é o tão conhecido suborno para os brasileiros. O esquema foi descoberto pelas autoridades e o negócio acabou na praça pública. Este escândalo foi o estopim para a queda do Governo, para o início da recessão e a dissolução do País na maior crise financeira já vista em toda a história.

Mas não pára por ai. As Olimpíadas de 2004 na Grécia, aonde os jogos surgiram há mais de um século, foi símbolo de ostentação e grandeza – mas também de gastos desenfreados por parte do Governo. Só nas Olimpíadas estima-se que foram gastos algo em torno de 9 Bilhões de Euros (em torno de 21 Bilhões de reais) elevaram o país a um patamar de alerta. Os altos custos da aventura olímpica e os critérios pouco rígidos com a fiscalização das verbas destinadas à preparação da capital Atenas para sediar o evento em 2004 já sinalizavam o que estava por vir: a grave crise de endividamento que castiga o país e se alastrou por toda a zona do euro, com reflexos em todo o mundo.

Uma combinação desastrosa de fatores como os altos investimentos na realização dos Jogos Olímpicos de 2004 e posteriormente à adesão ao Euro com uma política fiscal frouxa, com pouco controle sobre os gastos públicos, corroeu as bases da economia grega, que desmoronou em 2009. Desde então, o país depende do socorro dos credores e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) para tentar evitar uma catástrofe generalizada.

A dívida pública grega em 2000 era de 77% do PIB e passou para 110,33% do PIB em 2004. No fim de 2010, a relação dívida/PIB da Grécia chegou ao exorbitante valor de 144,9%. Durante 7 anos o governo Grego escondeu a real informação sobre sua economia.

A Grécia vive da agricultura e apenas 30% da população paga impostos. Já a Alemanha, em uma comparação entre países do mesmo bloco que vivem situações diferentes e que paga os mesmos impostos e partilha da mesma moeda, exporta automóveis e engenharia. Soma-se a isso a política fiscal frouxa da Espanha e o envelhecimento da população Portuguesa, só como exemplo. A crise Européia vai além de resgatar a Grécia – que não possui mais saída, mesmo que os credores perdoem a altíssima divida – ou fazer com que Itália, Espanha e França adotem medidas drásticas de austeridade que afetem sua população diretamente.

Este é o cenário internacional e que, segundo o Governo não possui aplicações práticas para o Brasil. Mas não é isso o que estamos vendo. Em seguidas ações na tentativa de tornar o país mais competitivo e aquecer a economia, o Governo apenas retarda o inevitável: a recessão está batendo à porta de nosso país.

Na véspera de Copa do Mundo e Olimpíadas, que estão demandando alto investimento público e são palcos de diversos escândalos financeiros – sem dizer dos que habitualmente já ocorrem no que diz respeito a desvio de verbas públicas da saúde e da educação – o País patina em assuntos que já deveriam estar resolvidos e não precisaríamos mais rever ou ajustar. O plano Real trouxe estabilidade financeira ao Brasil, isso é um fato inegável. E junto desta estabilidade, implantou pilares básicos para que esta política fiscal permaneça saudável. Porém, o Governo está mexendo perigosamente nestes pilares ao tentar “reinventar” a roda da economia Brasileira.

Não há como negar que o Brasil vive uma situação semelhante – não idêntica – ao da Grécia e caso não se equacione esses pilares fundamentais da economia – tais como: Juros, inflação e dívida pública – teremos uma grave desaceleração e posterior crise. E a culpa não será da Grécia, ou da China nem de nenhum outro país, será exclusivamente nosso por não termos cumprido o dever de casa. É óbvio que existem diferenças gritantes entre as duas economias. O Brasil possui uma classe média pujante e que está aquecendo o mercado inteiro. Possui uma indústria em franca expansão e um setor de commodities forte e bem respeitado no cenário internacional. Mas o que aproxima os dois países – e suas economias – são os gastos desenfreados, corrupção e falta de clareza política (Muitos partidos, pouca ideologia).

O governo brasileiro aumenta consideravelmente os gastos com folha de pagamento, uma reforma na previdência se faz urgentemente necessária pois o deficit só aumenta a cada ano. Os gastos com a Copa do Mundo de 2014 será em torno de 11 Bilhões de Reais e para as Olimpíadas outros 11 Bilhões aproximadamente. Coincidentemente próximo dos 21 Bilhões de reais gastos pelo governo Grego na realização das Olimpíadas em 2004.

Não devemos fechar nossos olhos as possíveis consequências que os gastos sem controle poderão trazer para a economia brasileira. Ou estaremos em 2017, batendo panela reclamando da austeridade imposta pelos futuros governantes.

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